Juan Quintas, estudante da Licenciatura em Educomunicação, relata sua participação na produção audiovisual no projeto TerrIndígena
✍️ Juan Quintas

Desenvolvido pela ONG Gaia, o projeto TerrIndígena, reuniu produtoras de audiovisual de todo o mundo para desenvolverem curtas metragens documentais em três comunidades indígenas da região amazônica. Entre os convidados está o estudante da Licenciatura em Educomunicação, Juan Quintas, também produtor da Estrangeira Filmes.
A partir da inscrição em um edital, a produtora brasileira elaborou uma proposta de uso da metodologia educomunicativa para construir, de forma colaborativa, um curta metragem documental com a comunidade indígena que melhor representasse as questões vividas por ela, por meio de uma oficina de cinema.
As comunidades foram selecionadas pela Gaia a partir de temas, como governança, território, cosmovisão e bioeconomia. E assim foram selecionadas as três comunidades, duas na Amazônia Peruana, próxima a cidade de Iquitos, e uma no Brasil, no Estado do Amapá, próxima a cidade de Oiapoque.
Em oficinas de cinema feitas com a comunidade indígena brasileira, foi desenvolvida uma apostila de cinema, específica para as comunidades indígenas, composta de referências e propondo uma linguagem que fosse integrada à realidade dos indígenas da comunidade, que fizesse sentido e que se aproximasse de suas vivências.
Para Juan Quintas, um dos desafios da produção foi a dificuldade com o acesso às tecnologias,uma realidade em regiões mais distantes,sendo necessário também se adaptar a essa realidade e ter propostas que contemplem a utilização de celulares, por exemplo, na ausência de câmeras e microfones.
“Mas o interessante é que a apostila desenvolvida vai muito além de um manual técnico, ela propõe pensarmos o cinema como uma ferramenta, com diversas possibilidades,e também mantém o foco no processo de criação de narrativas, de histórias, e de como elas podem ser contadas, de como uma imagem é carregada de significado, e de sua força de empoderamento para uma comunidade indígena”, relata Juan
Pela proposta da oficina e pela apostila, de acordo com o relato de Juan, foi possível perceber diversas estratégias educomunicativas, como diálogo e participação, o protagonismo, como um momento importante de escuta e de empoderamento das pessoas e da comunidade, incentivando-as a expressarem suas opiniões e a compartilharem suas experiências.
Na parte técnica, foi realizado um curso prático e objetivo sobre o funcionamento dos equipamentos e como utilizá-los, tendo a comunidade a oportunidade de conhecer e operar equipamentos de captação de imagem e som, como câmeras, lentes, gravadores e microfones utilizados no cinema.
Durante as três oficinas em todas as comunidades, Juan relata a abordagem completa da apostila e a apresentação dos equipamentos de audiovisual para a gravação de cenas dos curtas, em que os participantes da oficina puderam operar os equipamentos, além de poderem se reunir e de maneira colaborativa para construir as cenas. Como etapa final do projeto, foi definida a elaboração de um roteiro final, que será gravado posteriormente. “ude experienciar na prática o poder da educomunicação aplicada, nesse caso, a uma oficina de cinema, onde, como equipe pudermos obter muito mais resultados e possibilidades, bem como conhecer mais sobre a cultura de cada comunidade através da cosmovisão que cada uma nos apresentava, seus valores, suas crenças e mitos, suas histórias, que são passadas, principalmente através da oralidade, por isso a escuta é tão importante, principalmente para mim que estava aprendendo cada vez mais”, finaliza Juan.














