A educomunicação propõe a construção de ecossistemas comunicativos abertos, dialógicos e criativos
O que é Educomunicação?
Conforme a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Educomunicação é:
1. Conjunto de conhecimentos e ações que visam desenvolver ecossistemas comunicativos abertos, democráticos e criativos em espaços culturais, midiáticos e educativos formais (escolares), não formais (desenvolvidos por ONGs) e informais (meios de comunicação voltados para a educação), mediados pelas linguagens e recursos da comunicação, das artes e tecnologias da informação, garantindo-se as condições para a aprendizagem e o exercício prático da liberdade de expressão.
2. Formação e atividade profissional do educomunicador, relacionadas ao estudo e aplicação desses conhecimentos.
No texto escrito pelo prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares e publicado em 1999 na Revista Contato
Comunicação/ Educação: A emergência de um novo campo e o perfil de seus profissionais
A Educomunicação pode ser definida como toda ação comunicativa no processo educativo, realizada com o objetivo de produzir e desenvolver ecossistemas comunicativos abertos, democráticos, justos e inclusivos, múltiplos e diversos, em que a comunicação é feita com consciência crítica e criativa e ocorre de forma comprometida com a educação integral e os direitos humanos. E reconhecemos, como materializações do campo da Educomunicação, as suas oito Áreas de Intervenção Social, onde a intervenção realizada ocorre de modo participativo, colaborativo, democrático e inclusivo, princípios norteadores da Educomunicação. E os principais objetivos da Educomunicação são fortalecer e ampliar o coeficiente comunicativo das pessoas, instituições, movimentos sociais, grupos excluídos ou em situação de vulnerabilidade, visando a educação das pessoas para atuação na vida, e nos espaços públicos ou privados de modo responsável, e com atitudes em grupos em torno da promoção do Bem-Viver na sociedade.
Educomunicação é a Comunicação Educativa e a Educação Comunicativa onde se faz com os participantes, e não para os participantes, e estão relacionadas às práticas de Educação para a Comunicação, Educação Midiática e Informacional, Letramento digital, Comunicação Comunitária/coletiva, Educação Popular, Alfabetização Cívica, Cidadania Plena, dentre outros princípios.
As Áreas de Intervenção Social da Educomunicação (atualizado em 2026)
As Áreas de Intervenção da Educomunicação são a organização do conhecimento teórico-prático da Educomunicação a partir de aspectos de organização, apresentação e aplicação de seu conhecimento, ou seja, são formas por meio das quais o conhecimento do campo se organiza teoricamente e promove sua aplicação em diversas situações do cotidiano. Elas são: (1) Educação para a Comunicação, (2) Gestão da Comunicação, (3) Mediação Tecnológica em espaços educativos, (4) Expressão Comunicativa por meio da Arte, (5) Pedagogia da Comunicação, (6) Epistemologia da Educomunicação, (7) Produção Midiática para educação, (8) Educomunicação Socioambiental..
1. Gestão da comunicação: Área de Intervenção Social da Educomunicação dedicada à reflexão e compartilhamento de experiências acerca da gestão de ações, projetos e programas de organizações públicas e privadas, e grupos da sociedade civil, no âmbito da educomunicação, das tecnologias e da educação midiática, que contribuam para mobilizar pessoas para qualificação da prática cidadã.
2. Educação para comunicação: Área de Intervenção Social da Educomunicação que trata da educação midiática e informacional, e considera a cibercultura na perspectiva crítica e criativa, com valores e princípios humanistas aplicados ao cotidiano, em especial em práticas sociais de educação, de comunicação e de educomunicação, com a finalidade de explorar questões relacionadas à mídia e às tecnologias de informação de comunicação, sob a ótica da democracia e da cidadania, em diferentes âmbitos.
3. Mediação tecnológica na educação: Área de Intervenção Social da Educomunicação dedicada ao debate acerca da mediação das tecnologias digitais na promoção de processos educativos formais ou não formais que contribuam para os empoderamentos de grupos sociais, para o aprimoramento de práticas pedagógicas, ampliação do bem-estar social com o fortalecimento e ampliação das práticas de cidadania.
4. Expressão comunicativa por meio da arte: Área de Intervenção Social da Educomunicação dedicada à reflexão e/ou ao compartilhamento de experiências acerca dos processos comunicativos promovidos pelas áreas da arte, cultura ou arte/educação, comprometidos com o fomento e a garantia à cidadania plena para todos.
5. Produção midiática para a educação: Área de Intervenção Social da Educomunicação destinada à reflexão acerca do papel educativo e das mediações socioculturais promovidas por produtos da mídia profissional e de organizações públicas, privadas e/ou da sociedade civil, em diferentes plataformas e linguagens, criados para dar visibilidade às práticas cidadãs, bem como promover a cultura de paz.
6. Reflexão epistemológica sobre o campo da educomunicação e educação midiática: Área de Intervenção Social da Educomunicação dedicada à exploração e reflexão acerca das pesquisas científicas sobre educomunicação e educação midiática, cujo foco seja a garantia da cidadania contemporânea necessária.
7. Pedagogia da Comunicação: Área de Intervenção Social da Educomunicação que foca nas reflexões e práticas de comunicação e de como se ensina e se aprende com elas, relações com práticas de metodologias de ensino coletivas e ancoradas nos princípios da Educomunicação, focando no que se aprende e como nas práticas sociais de comunicação que se tem ou a que se deseja ter.
8. Educomunicação Socioambiental: Área de Intervenção Social da Educomunicação que engloba estudos de caso e reflexões epistemológicas sobre a aproximação entre os campos da educomunicação e da educação ambiental crítica, que têm se manifestado intensamente em diversas políticas públicas. Nesse contexto, a Educomunicação Socioambiental engloba ações, projetos e programas de Educomunicação que trabalham de forma integrada questões sociais e ambientais, que partem do território e promovem trabalho em rede, fortalecendo a gestão participativa dos processos comunicativos dos coletivos em prol da consciência e da justiça ambiental.
Setores da Sociedade que utilizam a Educomunicação em suas práticas.
Na sociedade há setores relativos a espaços na vida social em que a Educomunicação é reconhecida como conhecimento teórico-prático a ser utilizado nas práticas diárias daquele espaço. São: Assistência Social, Saúde, Meio Ambiente, Direitos Humanos, Arte, Tecnologia da Informação e Comunicação, Inteligência Artificial, Algoritmos, plataformização das atividades, Recursos Abertos, Inteligência Coletiva, dentre outras.
A seguir, alguns setores da sociedade em que a Educomunicação está sendo utilizada de alguma forma e mesmo de maneira organizada e sistemática.
1. Educomunicação e Assistência Social: Este eixo temático visa expandir o conhecimento sobre a interseção entre a política pública de assistência social e o campo da educomunicação. Pretende-se estudar, debater e articular alternativas às instâncias da assistência social e às áreas da comunicação, a fim de garantir o direito à proteção social na sociedade e o direito à comunicação para a população que acessa os serviços de assistência social.
2. Educomunicação e Saúde: Saúde e educomunicação abarca o âmbito da relação entre educomunicação e promoção da saúde pública, como nas experiências populares e nas políticas públicas que trabalham o fortalecimento de ecossistemas comunicativos mais plurais e democráticos como estratégia de prevenção e enfrentamento de doenças, e nos quais educomunicação tem se mostrado um diferencial na formação de agentes para mobilização das comunidades locais em defesa da saúde.
3. Educomunicação e Meio Ambiente: Este espaço do Meio Ambiente engloba estudos de caso e reflexões epistemológicas sobre a aproximação entre os campos da educomunicação e da educação ambiental crítica, que tem se manifestado com muita força em diversas políticas públicas. Essa interface tem se materializado em políticas públicas com o nome de educomunicação socioambiental (8a. Área de Intervenção Social da Educomunicação), e engloba ações, projetos e programas de educomunicação que trabalham de forma integrada questões sociais e ambientais, partem do território, promovem trabalho em rede e fortalecem a gestão participativa.
4. A Educomunicação e os Direitos Humanos possuem uma relação intrínseca: ambos partem do princípio de que a comunicação é um direito humano fundamental, indispensável para o exercício da cidadania, da liberdade de expressão e da democracia. Enquanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura o direito de buscar, receber e transmitir informações e ideias (Artigo 19), a Educomunicação fornece as práticas e metodologias para transformar receptores passivos em sujeitos ativos da própria narrativa.
5. A Educomunicação aplicada à alimentação saudável combina a leitura crítica das mídias com o protagonismo comunicativo para promover a Educação Alimentar e Nutricional (EAN), a soberania alimentar e o Direito Humano à Alimentação Adequada. Em vez de apenas transmitir recomendações nutricionais de forma passiva, essa abordagem capacita estudantes e comunidades a investigarem o sistema alimentar, identificarem influências mercadológicas e produzirem seus próprios conteúdos sobre hábitos alimentares conscientes.

