Projeto que surgiu ao longo do curso do Educom&Clima, do NCE, organiza EduCOP30 com arte, educomunicação, educação ambiental e protagonismo de estudantes
Por Daniely Duarte e Sofia Lanza

Em um encontro marcado por emoção, criatividade e engajamento, estudantes e educadores(as) de diferentes regiões de São Paulo se reuniram para o Encontro Presencial do GT “Emergências Climáticas nos 4 Cantos da Cidade”, que teve como tema “Justiça Climática nas Escolas Periféricas”.
O Encontro foi realizado no Centro Educacional Unificado – CEU Carrão, no último dia 20 de outubro e foi organizado pelas coordenadoras do GT, Daniely Duarte (Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF Águas de Março) e Patrícia Fernandes (EMEF Humberto Dantas). As professoras participaram da formação “Educomunicação Socioambiental: precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas”, promovido em fevereiro, março e abril deste ano pelo projeto Educom&Clima, do NCE, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME-SP).

Seu primeiro evento presencial — carinhosamente apelidado de EduCOP30, em alusão à próxima Conferência do Clima da ONU — mostrou que as escolas públicas das periferias paulistanas estão na linha de frente da luta contra as mudanças climáticas, unindo Educomunicação, Arte e Educação Ambiental em ações transformadoras.
Educomunicação e protagonismo juvenil
A abertura, conduzida pelos estudantes Luanna Souza, Andrey Novaes, Nicoly Trindade e Bianca Fernandes, apresentou a canção “Nos 4 Cantos da Cidade”, composta pela própria Luanna Souza, da EMEF Humberto Dantas, como símbolo da união entre escolas e territórios. Na sequência, os jovens relembraram o nascimento do GT.

Arte, poesia e esperança
O encontro seguiu com a poesia “GT Emergências Climáticas nos 4 cantos da cidade: o convite”, escrita e declamada pela professora e mestra Daniely Silva Duarte, contando a história do surgimento do GT em forma de verso, e convidando-nos a esperançar sobre essa problemática urgente.



Na sequência, o pesquisador James Maier (Educom&Clima) destacou a importância do curso de formação Educom&Clima, no qual o GT nasceu, assim como a importância da professora doutora da USP Thaís Brianezi, coordenadora e formadora do curso.
As apresentações artísticas trouxeram performances de escolas como a EMEF Mário Pires Azanha, com o Sarau do Clima das professoras Érika e Danielle; a EMEF Humberto Dantas, com as poesias de Vanessa e Laura; a EMEF Visconde de Cairú, com os estudantes Júlia e Pietro; a música autoral “Mãe Natureza” do aluno Pedro da EMEF Neir Augusto Lopes; a EMEF Maria Aparecida Rodrigues Cintra trouxe poemas inspirados no projeto “Nhandecy – A Terra é Nossa Mãe” com a professora Clara, sendo que os estudantes também representaram as aulas da Sala de Leitura, ministradas pelo professor Betto, mediando debates à partir da leitura dos livros do Ailton Krenak e de tirinhas da Mafalda; a EMEF Ruy Barbosa, representada pela professora Heulieda e seus estudantes, que também dirigiram um vídeo coletivo reunindo depoimentos e expressões artísticas sobre o cuidado com o planeta e a força das ações escolares pelo clima.




Essas produções mostraram como a arte, a palavra e o audiovisual se tornam instrumentos potentes de reflexão e mobilização sobre o futuro do planeta.
Vivência coletiva e troca de experiências
Durante o intervalo, o CEU Carrão se transformou em um espaço de convivência e trocas entre estudantes das diversas escolas participantes.




Além disso, sob a direção da EMEFM Rubens Paiva, cada representante de uma escola participou da produção de um vídeo para o Instagram sobre o Encontro.
Esse intervalo ativo e criativo simbolizou o espírito do GT: a educação que acontece no encontro, na escuta e no diálogo entre diferentes vozes — fortalecendo vínculos, redes de colaboração e o sentimento de pertencimento à causa climática.
Projetos inspiradores nas escolas
Diversas escolas compartilharam suas práticas educomunicativas e ambientais durante o evento, evidenciando o protagonismo estudantil e o compromisso das comunidades escolares com a sustentabilidade.
A EMEF Philó Gonçalves dos Santos apresentou o projeto Ecoparque Philó, inspirado na Carta da Terra e no Currículo da Cidade de Educação Ambiental.
A EMEFM Rubens Paiva trouxe a experiência da Editoria do Clima, desenvolvida com o professor Rafael, para o projeto Imprensa Jovem, que destaca o papel do jornalismo estudantil e da investigação ambiental.
A EMEF General Júlio Marcondes Salgado apresentou o projeto Muro Verde, com a professora Fúlvia, transformando o espaço escolar em um ambiente de aprendizagem e cuidado com a natureza.
Também marcaram presença o estudante Pedro, da EMEF Neir Augusto Lopes, com uma apresentação sobre engajamento juvenil; o professor Guilherme, da EMEF Prof. Antônio Duarte de Almeida, com práticas integradas de sustentabilidade; e os estudantes da EMEF José Hermínio Rodrigues, com ações voltadas à mobilização comunitária.
A EMEF Marli Ferraz Torres Bonfim apresentou seu relato sobre a Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, reforçando o compromisso das escolas municipais com a formação de jovens protagonistas das transformações climáticas.
Houve também a apresentação da Ashoka junto com Carlos Lima, mostrando que é possível romper barreiras e ir além por meio da educomunicação.


Educação pública e compromisso coletivo
O educador Clayton Scarcella, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo – SME, Núcleo de Educomunicação, encerrou o evento destacando a importância da mobilização das escolas públicas na luta pela justiça climática e ressaltando as excelentes práticas apresentadas durante o encontro.

Em sua fala, Scarcella enfatizou que as escolas públicas são espaços vivos de transformação e esperança, e convidou ao palco as coordenadoras Daniely Duarte e Patrícia Fernandes, reconhecendo o trabalho de ambas na articulação e fortalecimento do GT.
As educadoras agradeceram às escolas participantes e reforçaram o compromisso coletivo com uma educação climática democrática, criativa e periférica, baseada na escuta, na ação e na esperança.
“Que as sementes plantadas hoje floresçam em cada escola, em cada bairro e em cada coração”.
A EduCOP30 reafirmou o papel da Educomunicação Socioambiental como caminho de resistência e transformação, fortalecendo a rede de escolas comprometidas com o enfrentamento das mudanças climáticas a partir da educação pública e da potência das juventudes.
Escolas participantes* :
EMEF Humberto Dantas • EMEF Águas de Março • EMEF Mário Pires Azanha • EMEF Neir Augusto Lopes • EMEFM Rubens Paiva • EMEF Visconde de Cairú • EMEF Ruy Barbosa • EMEF Philó Gonçalves dos Santos • EMEF Prof. Antônio Duarte de Almeida • EMEF José Hermínio Rodrigues • EMEF General Júlio Marcondes Salgado • EMEF Marli Ferraz Torres Bonfim • EMEF Marli Ferraz Torres Bonfim
*Devido à falta de transporte, somente 13 escolas conseguiram participar, utilizando recursos próprios ou auxílio da SME.
Créditos:
GT Emergências Climáticas nos 4 Cantos da Cidade – ABPEducom/SP – NCE/USP – SME Educomunicação
Colaboração: Escolas da Rede Municipal de Ensino de São Paulo
Fotos e vídeos: Imprensa Jovem e escolas participantes
