Dois anos após defender sua monografia na ECA-USP, Isabela Ximenes reflete sobre a atualidade do papel da televisão pública na formação cidadã e na alfabetização midiática
✍️ Marina Luna
Revisitar uma monografia após alguns anos da graduação é confrontar as perspectivas levantadas pela pesquisa e questionar a relevância do tema no momento atual.
É o que fez Isabela Ximenes em conversa com o NCE, ao discutir o trabalho “Televisão Pública e Educomunicação: Explorando noções de cultura, educação e comunicação na grade de programação da TV Cultura”.
Escrito em 2024 como trabalho de conclusão de curso da graduação de Educomunicação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o texto analisa a trajetória histórica da emissora, desde sua fundação até a consolidação da Fundação Padre Anchieta, destacando seu papel fundamental na promoção da educação e da diversidade cultural.
Nele, a autora detalha a grade de programação da época, examinando como produções jornalísticas, infantis e culturais reforçam a formação cidadã e o pensamento crítico.
Através de um levantamento minucioso de horários e categorias de programas, a pesquisa demonstra que a TV Cultura buscava equilibrar qualidade técnica e relevância social, distanciando-se de modelos comerciais e estatais, com a independência que somente uma televisão pública conseguiria.
De acordo com o estudo, “uma emissora pública existe para garantir um direito que tem a sociedade à informação, à cultura, à expressão de suas diferenças, à tematização de suas carências e potencialidades e à livre comunicação das ideias. A emissora pública deve garantir o direito que o público tem de criticar o poder, de imaginar o mundo como ele não é, de partilhar os desdobramentos de sua crítica e de sua imaginação e de usá-los em benefício de sua liberdade”.
Ao NCE, a autora reforçou que a “televisão pública cumpre um trabalho de base na construção do senso crítico da população e se mantém relevante mesmo em um momento em que a internet se apresenta como elemento de instrução e se torna uma presença tão imponente na vida de brasileiros de todas as idades”, comenta.
A monografia, orientada pela Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Mungioli, da ECA-USP, surgiu da paixão da estudante pela TV e pelo cinema, além da curiosidade em analisar espaços de comunicação audiovisual como plataforma para a Educomunicação.
A autora enxergava na emissora pública um espaço promissor para a aplicação dos conhecimentos do curso.
Dois anos após a banca de apresentação, Isabela reflete sobre a relevância atual do trabalho.
“Nós, como educomunicadores, continuamos a ter essa função de fazer a alfabetização midiática da população, e a TV pública além de produzir conteúdo de qualidade, de entretenimento e informativo, ela forma telespectadores, então sim, acredito que este é um tema pertinente hoje em dia, ainda mais em tempos que as telas, seja streaming, seja TV a cabo ou internet, vieram pra ficar de forma definitiva [..] Então sim, a televisão pública seria um assunto que eu ainda pesquisaria ”, afirmou, ao ser perguntada se seguiria nesta mesma linha de pesquisa em 2026.
O TCC será publicado em breve na Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
