Trabalho de conclusão de curso desenvolvido por Bianca Coelho analisou o potencial da série “Que Corpo É Esse?” para abordar a educação sexual para a proteção de crianças e adolescentes
O Trabalho de Conclusão de Curso “Que Corpo É Esse? Educomunicação e educação sexual como proteção na infância”, de Bianca Coelho, orientada pela Profa. Dra. Cláudia Lago, da Licenciatura em Educomunicação da ECA-USP, analisou o potencial da série audiovisual “Que Corpo É Esse?”, do Canal Futura, para promover reflexões sobre a proteção de crianças e adolescentes e a educação sexual. Para isso, a pesquisa realizou uma análise da primeira temporada da série, observando como os episódios abordam a educação sexual e sua relação com a perspectiva educomunicativa.
O interesse pelo tema surgiu durante a pandemia de covid-19, a partir da atenção da pesquisadora ao aumento dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Foi nesse contexto que Bianca passou a refletir sobre as possíveis contribuições da Educomunicação para o enfrentamento dessas violências.

“Durante a pandemia, o aumento dos casos de violência sexual revelado pelos dados chamou muito a minha atenção. A partir dessa reflexão, comecei a compreender ainda mais como a educomunicação pode contribuir positivamente para o enfrentamento de determinadas violências”, conta Bianca.
A primeira temporada de “Que Corpo É Esse?” foi escolhida como objeto da pesquisa por abordar questões relacionadas ao corpo, à identidade e à sexualidade dentro de situações do cotidiano familiar. A análise observa como esses temas são apresentados para diferentes faixas etárias e como a série trabalha a educação sexual ao longo dos episódios.

Ao analisar os materiais audiovisuais, Bianca identifica diferentes formas de abordagem da educação sexual. No episódio da família Vila César, por exemplo, os diálogos entre os personagens são utilizados para tratar do autoconhecimento e da liberdade sobre o próprio corpo. Para as crianças menores, a série apresenta questões relacionadas à descoberta do corpo e aos cuidados diante de possíveis situações de violência. Já os episódios voltados à pré-adolescência acompanham as mudanças vivenciadas nessa fase e também abordam situações relacionadas à escola e à internet.
A relação com a Educomunicação aparece também na maneira como a série pode ser trabalhada em espaços educativos. Segundo a pesquisa, os episódios apresentam características educomunicativas e podem ser utilizados para estimular a leitura crítica dos meios e promover o diálogo e o debate. Nessa perspectiva, o espectador deixa de ocupar apenas o lugar de receptor e passa a participar de um processo de construção de conhecimento.
Para Bianca, a discussão não pode ser dissociada das estruturas sociais que atravessam essas violências. “Essas violências são resultado de estruturas sociais que precisam ser debatidas e questionadas para que seja possível transformar diferentes realidades”, afirma.
Por fim, o trabalho aponta que a leitura crítica de “Que Corpo É Esse?” pode ser utilizada como uma estratégia de educação para a comunicação. Por meio da mediação, a série pode contribuir para a criação de processos dialógicos sobre educação sexual. A pesquisa destaca a importância dos diálogos abertos dentro das famílias e relaciona essa prática à construção de um ecossistema comunicativo saudável.
“Por isso, realizar essa pesquisa foi muito importante para dar visibilidade a práticas ativas, como o produto audiovisual ‘Que Corpo é esse?’, e ao seu potencial educomunicativo para promover espaços mais democráticos e igualitários quando utilizadas de forma crítica” finaliza Bianca.
Acesse a pesquisa completa em: https://bdta.abcd.usp.br/item/003079490
