Iniciativa promovida pelo NCE se consolidou enquanto contribuição qualificação ao campo da Educomunicação e da educação climática
✍️ Luis Scala
De acordo com dados recém divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o projeto Educom & Clima, iniciativa promovida pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP) em parceria com o órgão, mapeou 203 ações e qualificou 14,5 mil educadores ambientais em todo o país.
Com o apoio da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), o projeto teve início em 2024 com o objetivo de entender como as práticas educomunicativas podem contribuir na abordagem de questões socioambientais e climáticas em sala de aula, e foi coordenado por Thaís Brianezi, integrante do Grupo Temático de Educomunicação Socioambiental da ABPEducom, e Ismar de Oliveira Soares, presidente da associação.
Para a assessoria científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que avaliou positivamente o desempenho do Educom & Clima, o projeto é um exemplo a ser seguido.
“O que foi alcançado, além de excelente do ponto de vista acadêmico-científico, é exemplar para inspirar modos de construção coletiva de políticas públicas, responsáveis, democráticas e solidárias.
[…] O projeto alcançou grau elevado de maturidade, integração entre pesquisa e incidência pública e contribuição qualificada ao campo da Educomunicação e da educação climática”, destacou a entidade em um parecer técnico sobre a iniciativa.
Legado do projeto
Entre as principais entregas do Educom & Clima está o curso “Educomunicação & Clima: Precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas”, iniciativa pensada para qualificar educadores e gestores da Educação Básica a desenvolver a temática das mudanças climáticas em sala de aula, por meio de práticas educomunicativas.
Disponibilizado gratuitamente no Portal de Formação Mais Professores, plataforma do Ministério da Educação (AVAMEC) que reúne cursos de formação continuada e qualificação profissional a professores de todo o país, o curso já capacitou 14,5 mil educadores.
Além disso, outro resultado relevante do projeto foi o levantamento colaborativo de organizações dedicadas à educação ambiental climática.
O mapeamento identificou 203 instituições, entidades e coletivos distribuídos por todos os estados brasileiros com atuação nas áreas de Educomunicação, educação, comunicação e mobilização social.
Os dados coletados resultaram em um mapa interativo, disponível ao público no Sistema Brasileiro de Monitoramento e Avaliação em Educação Ambiental (MonitoraEA).
Para Thaís Brianezi, os dois produtos são um legado importante da iniciativa.
“O Educom&Clima, enquanto projeto de pesquisa financiado pela Fapesp, durou só dois anos. Foi propositalmente curto para ter resultados rápidos, que pudessem ser incorporados em políticas públicas, o que de fato aconteceu. E agora os resultados seguem abertos à sociedade, como o curso no AVAMEC e o banco de iniciativas no MonitoraEA”, defende a coordenadora do projeto.
De acordo com Marcos Sorrentino, diretor do Departamento de Educação Ambiental do MMA, as ações desenvolvidas pelo Educom & Clima foram responsáveis por uma ampliação no engajamento das escolas no enfrentamento da emergência climática.
“As práticas educomunicativas podem contribuir para que as comunidades escolares assimilem o conhecimento sobre a emergência climática de forma crítica e criativa. Isso promove ações locais e fortalece a participação ativa no enfrentamento da crise climática e na construção de um mundo mais justo e resiliente”, ressaltou o ambientalista.
Parcerias estratégicas e desdobramentos
Além do MMA e da ABPEducom, o Educom & Clima contou com o apoio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) da FAFESP, além de parcerias estratégicas, como a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Cemaden/MCTI), e a Articulação Nacional de Políticas Públicas de Educação Ambiental (ANPPEA).
“Os desdobramentos não param de acontecer. O Grupo Emergência Climática nos Quatro Cantos da Cidade, por exemplo, que começou com 4 escolas da Rede Municipal de São Paulo, já está em 12 unidades de ensino e segue ativo.
Vale citar também que parceria entre a ECA/USP e a Prefeitura de São Paulo resultou na criação da vertente de Educomunicação no Programa de Iniciação e Aperfeiçoamento na Docência (PROIAD) da USP, com atualmente nove bolsistas atuando no apoio ao Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo”, destaca Brianezi.
