Iniciativa integra projeto de extensão voltado ao ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, com materiais práticos para educadores e famílias
Criar conteúdos que ajudem a fortalecer práticas educomunicativas antirracistas com escuta, afeto, criticidade e comprometimento. Esse é o objetivo central do podcast Educom Antirracista, desenvolvido para estabelecer diálogo entre a universidade e a escola.
O podcast integra o projeto de extensão “Estratégias Educomunicativas para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena na Educação Infantil”, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
Desenvolvido com apoio de uma bolsa PUB, o podcast compreendeu um processo de pesquisa e de produção que reuniu referências teóricas, experiências de campo e diálogos com pessoas educadoras.
A iniciativa coordenada pela professora da ECA-USP e colaboradora do NCE, Dayana Melo, contou com a participação da bolsista Stela Nesrine, educomunicadora e produtora, e do apoio de Laís Oliveira, na criação da identidade visual do projeto, e de Gabrielle Eva, responsável pela comunicação e divulgação nas redes sociais.
O podcast conta com duas temporadas, sendo a primeira delas, já disponível em uma plataforma de áudio, dedicada à primeira infância.
Esse trabalho permitiu transformar temas ligados à história e cultura afro-brasileira e indígena em materiais acessíveis e consistentes para quem cuida, educa e acompanha crianças pequenas.
A primeira temporada dedica-se a mães, pais, educadoras/es e demais responsáveis pelo cuidado na primeira infância, oferecendo reflexões e caminhos para abordar as relações étnico-raciais de forma consciente e comprometida.
A ideia de abordar a educação antirracista voltada para esta modalidade de ensino surgiu durante o estágio da bolsista Stela Nesrine na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Monteiro Lobato, em São Paulo.
Na ocasião, a estudante dialogou com profissionais da unidade escolar e pode identificar, também nas crianças, um território estratégico para a construção de uma formação antirracista desde os primeiros anos de vida.
Do ponto de vista da pesquisa, percebeu-se que, embora as Leis 10.639 e 11.645 tenham representado um marco para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, sua implementação acaba se concentrando mais no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, do que em outras modalidades.
A Educação Infantil, segundo Stela Nesrine, ainda conta com poucos materiais, formações e referências voltados especificamente para o trabalho com as relações étnico-raciais, o que evidencia uma lacuna importante.
“Vivenciar essa experiência me fez entender que a educação antirracista também se constrói para além dos muros da escola. Ela depende do diálogo entre diferentes profissionais, instituições e saberes, reconhecendo que a formação das crianças acontece nas múltiplas relações que elas estabelecem com a comunidade”, comenta a produtora e educomunicadora.
Muito além dos muros da universidade e dos livros didáticos
Com a proposta de abordar teoria e pesquisa por meio de uma linguagem acessível, fundamentada na oralidade e objetiva, o podcast Educom Antirracista consolida-se como uma iniciativa educomunicadora, especialmente ao abordar narrativas negras e periféricas e fundamentar-se nos conceitos e referências da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
O podcast permitiu, para Stela, transformar esse conhecimento em uma experiência de escuta, com um roteiro que já parte da oralidade, escrito para os ouvidos, tornando o debate mais democrático e ampliando as possibilidades de circulação dessas reflexões para além dos muros da universidade.
Nessa ótica, o podcast rompe com a lógica presente nos materiais tido como tradicionais nas escolas, como os livros didáticos, por exemplo, e pode ser usado na formação docente e de estudantes na educação básica.
“Na Educomunicação, partimos de um pressuposto muito importante: as mídias também educam. Elas não apenas transmitem informações, mas participam da formação dos nossos imaginários, valores e formas de compreender o mundo. Se reconhecemos esse poder das mídias, também precisamos reconhecer que uma educação antirracista passa pela disputa das narrativas que circulam nesses espaços”, reforça a produtora do podcast.
Uma das temáticas abordadas em um dos episódios do projeto é o Hip-Hop, elemento parte do Movimento Negro Educador, conceito proposto pela pesquisadora e educadora, Nilma Lino Gomes. Assim, o podcast pode mostrar como a produção cultural também ensina, produz memória, fortalece identidades e questiona narrativas hegemônicas.
Para a segunda temporada, o podcast promete reunir somente entrevistas, com o intuito de aproximar o conhecimento das pessoas entrevistadas de quem ouve, com recursos de emoção, memória e afeto, fundamentais para uma educação feita de experiências vividas, não somente de conceitos teóricos aprendidos nas academias.
“Mais do que ensinar sobre as Leis 10.639 e 11.645, o podcast procura criar condições para que elas deixem de ser apenas uma obrigação legal e se tornem uma prática pedagógica viva, construída no cotidiano da escola, em diálogo com as crianças, os territórios e as diferentes formas de produzir conhecimento”, finaliza Stela.
Para conferir o podcast Educom Antirracista, acesse o Spotify e saiba mais informações no perfil do projeto no Instagram!
